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2050 e como alimentar 10 bilhões de pessoas

Estima-se que por volta do ano 50 deste século a população mundial irá crescer 2,1 bilhões. Desse número, 68% vão viver em cidades

E um dos principais problemas será a escassez de comida para esse povo todo. A falta de espaços para o plantio e, na maioria dos casos, a distância do local onde são produzidos e onde são consumidos, elevam os custos do produto. 

Imaginando soluções, cidades ao redor do mundo têm buscado uma alternativa que há tempos é conhecida, mas pouco utilizada: a construção de “fazendas verticais”

Essa nova geração do plantio e cultivo, interna e vertical, remonta ao ano de 1979 quando o físico Cesare Marchetti apresentou o conceito que seria desenvolvido posteriormente (em 1999) pelo biólogo Dickson Despommier.

Mas o que é uma fazenda vertical? 

Como o próprio nome já diz, trata-se de um conjunto espacial destinado para a produção de alimentos e remédios, utilizando superfícies inclinadas verticalmente e/ou integradas em outras estruturas como arranha-céus, armazéns e contêineres. Seu funcionamento é similar a uma estufa. 

Pensada principalmente para os grandes centros urbanos, pode ser a tecnologia do futuro para alimentar as próximas gerações. Fazendo uso da automação e com menor impacto ambiental, a alternativa pode ser uma solução sustentável. 

Isso porque as técnicas utilizam agricultura de interior e tecnologia de agricultura com controle ambiental (CEA, em inglês), em que os fatores ambientais podem ser controlados, como controle artificial da luz, controle ambiental (umidade, temperatura, gases, etc.) e fertirrigação. 

O diferencial: muitos não usam solo, e sim materiais e sensores que imitam ambientes naturais. Podem operar 24 horas por dia, 7 dias por semana e reciclar água. A eficiência é algo em torno de 350 vezes frente a colheita tradicional de uma fazenda com apenas 1% da água. 

Onde isso está acontecendo?

No mundo todo, inclusive com iniciativas aqui no Brasil. Os principais projetos podem ser encontrados em: 

Newark, onde a AeroFarms tem uma instalação de 70.000 pés quadrados, que produz cerca de 2 milhões de libras por ano.

Abu Dhabi, onde o governo está oferecendo US$ 150 milhões em incentivos para que os agricultores verticais venham construir.

China, onde existem planos para uma torre de escritórios de 51 andares, dobrando como uma fazenda vertical que vai produzir safras suficientes para alimentar 40 mil pessoas a cada ano.

Infelizmente nem tudo é alface. 

Embora a iniciativa seja promissora, existem alguns pontos negativos também. O principal deles é o custo para construir uma super fazenda de alta tecnologia e o fato de não fazer sentido cultivar todas as plantas em uma. 

Um professor de Cornell calculou que um pão feito de trigo cultivado em casa custaria US$ 11. Os custos provavelmente cairão com o tempo. Ao mesmo tempo, a inovação aumentará. Em breve, saberemos se realmente é viável e sustentável. 

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