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A obra de arte na era de sua reprodutibilidade digital

Em 1936, Walter Benjamin destaca que “mesmo a reprodução mais perfeita de uma obra de arte carece de um elemento: sua presença no tempo e no espaço, sua existência única no lugar onde por acaso está.”
 
Ele refere-se a esse contexto único (presença no espaço e tempo) como a sua “aura”. Ou seja, a obra de arte original é um objeto de arte independente da reprodução mecânica. Ao mudar o contexto cultural de onde a obra de arte está localizada, a existência de uma cópia mecânica diminui o valor estético da obra de arte original.
 
A aura, segundo Benjamin, é a estética única de uma obra de arte e, por sua vez, não existe na cópia produzida mecanicamente
 
Saltando para 2021, lá na gringa o povo está utilizando a tecnologia para dar exclusividade e autenticidade a obras de arte digitais. Vale para todos os conteúdos criativos e artísticos que você possa imaginar: vídeos, colagens, áudios, clipes e música, são alguns exemplos. 
 
Para você ter uma ideia, a obra “Everydays – The First 5000 Days” de autoria do designer Beeple (Mike Winkelmann), foi vendida em um leilão online pelo valor irrisório de US$ 69,3 milhões
 
Trata-se de uma colagem digital que reúne 5 mil imagens de Beeple publicadas online, todos os dias, desde 2007. Além de ser uma obra que só existe virtualmente, ela recebeu o “selo” NFT (non-fungible token). 
 
É a primeira obra totalmente digital que a tradicional casa de leilões Christie’s vendeu através de um pagamento em Ethereum.

NFT? Que é isso? 
Os tokens não-fungíveis são construídos em cima da blockchain Ethereum, os quais permitem tokenizar quaisquer dados usando um identificador único e não intercambiável. 

Essas moedas virtuais são criadas em um blockchain, que garante a dinâmica de funcionamento e o algoritmo de consenso. Isso mesmo, o registro não pode ser modificado, garantindo a integridade dos tokens. 

Desta forma, quando atrelados a alguma obra, os tokens podem garantir a autenticidade, além de transformar o digital em um produto colecionável. 

Na prática isso significa que, mesmo na era da reprodutibilidade técnica digital, não significa que qualquer um possa copiar e colar e afirmar que a obra é sua

Passados 85 anos da publicação do texto mais conhecido de Benjamin, ele continua atual como nunca.

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