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Encontrando e alimentando o seu artista interior

Ninguém consegue ser criativo o tempo inteiro.

Além do barulho criativo, é preciso também haver o silêncio. Reservar um tempo criativo só seu talvez seja a tarefa mais difícil nos dias de hoje.

Julia Cameron, autora do livro O Caminho do Artista, chama esse momento de encontro com o artista. Segundo ela, investir duas horas por semana em uma atividade a sós com o objetivo de apenas fruir o momento, sem cobranças, é capaz de incendiar a nossa criatividade.

Desligue-se de tudo, afaste-se de todos e então se pergunte: o que eu farei para alimentar a minha criatividade nas próximas horas? Talvez seja uma caminhada pelo bairro. Quem sabe assistir a um filme que você está louco para ver; ouvir o novo disco do seu artista favorito. Ou cantar, tocar violão, fazer manchas de tinta no papel, escrever poesias, dançar, contemplar as árvores, as flores.

Se o estudo é o exercício, o encontro com o artista é o alongamento da vida criativa. Você não quer crescer, nem ser melhor ou mais inteligente; você só quer fazer. Quer ser livre. Não quer fazer sentido, quer sentir.

Julia Cameron não é a única a ressaltar a importância de realizar o encontro com o artista. Como já mencionamos no Criativar, a criatividade nasce através da comunicação de três regiões distintas do cérebro. No entanto, para que a criatividade aconteça de fato, é preciso alimentá-la. Bia Lombardi, autora do livro Criando com Empatia, resgata os conceitos de pensamento descendente e pensamento ascendente, apresentados pelo psiquiatra Daniel Goleman.

O pensamento descendente é composto por tudo o que absorvemos do mundo exterior, desde a barriga da nossa mãe. À medida que avançamos na vida, recebemos cada vez mais informações — e essas informações alimentam quem somos, o que pensamos e como nos relacionamos com o mundo.

(Aqui você já deve ter percebido a importância de manter o seu artista interior bem alimentado, né?)

Já o pensamento ascendente é o exato oposto: trata-se do que é produzido pelo nosso cérebro e transmitido por nós ao mundo. Assim, tudo que adoramos romantizar no processo criativo — insights, inspirações, talentos etc — é fruto do que absorvemos no dia-a-dia ao nos relacionar com o meio em que vivemos.

Mas o que o nosso cérebro tem de maravilhoso, tem de preguiçoso. Adoramos nos apegar a padrões, rotinas e tudo mais que possa economizar energia nos nossos corpinhos — e isso é péssimo para a criatividade.  Para fugir da mesmice de pensamentos, esteja aberto para mudanças, tenha um novo olhar sobre o que te rodeia e reserve tempo para atividades de fruição, sem cobranças — dessa forma, você terá sempre novas (e geniais) ideias.

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