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Georgina Mongruel, uma multiartista mulher na virada do século XX (parte 4)

Essa é a última parte de nossa pesquisa sobre Georgina Mongruel, uma multiartista mulher na virada do século XX. 

Hoje falaremos mais especificamente sobre a obra literária de Georgina — ou melhor, vamos publicar alguns de seus escritos e complementar com algumas informações sobre sua vida. 

Almanach do Paraná: Commercio, Historia e Litteratura, edição n°1 de 1908. 

Nos anos que precedem a sua mudança para o Rio de Janeiro, Georgina pouco aparece nos jornais que pesquisamos. Uma dessas notícias é de 1918, ano em que passou a ministrar aulas particulares das 11h às 17h na Praça Zacarias n.2. Nos anúncios de jornal, lê-se: “Externato para meninas, instrução e educação completa Francês, Música e trabalhos manuais”.  

Outra notícia apenas informa que, em 1921, Georgina mudou-se para a rua Pedro Ivo (número ilegível). 

Fanal: Orgam do Novo Cenaculo, edição n° 1 de 1912

Este período, entre 1918 e 1922, parece ter sido um período de muitas mudanças na vida de Georgina. Os motivos podem ter sido os mais diversos, desde uma possível falta de dinheiro até algum tipo de preconceito que ela talvez tenha recebido. Vale lembrar que era comum estrangeiros serem tratados de forma discriminatória

Essas mudanças não são apenas de residência. Algo mais ocorre, e não sabemos precisar o que exatamente, mas é fato que a participação de Georgina na cidade de Curitiba chegara ao fim. Era hora de buscar novos ares e ela encontra esse frescor na capital do Brasil, o Rio de Janeiro (RJ). 

Georgina Mongruel. Foto extraída do site da UEM (Centro de Documentação de Literatura de Autoria Feminina Paranaense), sem data e fonte. 

No Rio, Georgina parece ter dado continuidade ao seu trabalho de educadora. Lecionou no Colégio Anglo-Americano e no Curso de Secretariado Feminino. Parece porque, também nos periódicos de lá, são raras as informações sobre a sua atuação. 

Mas, por outro lado, é morando no Rio que são publicadas suas obras em formato de livro:

“Sous le Charme”, autobiografia em prosa e verso de 1946;

“La Dernière Chevauchée”, poesias de 1948, publicado em 1952; 

“Avril Eternel Renouveau”, também de 1952. 

Vale também o destaque para duas obras documentadas como inéditas: “Contes à Madelon”, escrito e publicado entre 1949-1951 e “Le sentir qui monte”, romance de 1949. Este último, possivelmente escrito na rua Visconde de Pirajá, 168, Ipanema (RJ). 

O Olho da Rua, edição n° 41 de 1908

E aqui você deve ter percebido o tamanho do buraco temporal que se abriu, pois, de 1922 até a primeira publicação, em 1946, não encontramos nenhuma informação sobre a sua vida. 

É apenas em 1950 que Georgina volta aos noticiários quando, em Paris, recebe a “Medaille Civile Nationale Française”, pelo mérito revelado no estrangeiro.

Perceba que é aproximadamente um ano antes de sua morte (26 de dezembro de 1953), que são publicados dois de seus livros: “La Dernière Chevauchée” e “Avril Eternel Renouveau” — este segundo uma edição da própria Georgina.

Conclusão (ou uma mensagem aos futuros pesquisadores) 

Essa pesquisa foi apenas uma porta de entrada para os futuros pesquisadores. Estamos certos de que com recursos, tempo e alguns contatos, é possível realizar um levantamento mais completo sobre Georgina Mongruel, especialmente a partir de sua fixação no Rio de Janeiro. 

Esperamos que a nossa pesquisa possa contribuir com o resgate, a preservação e a construção de uma memória da vida e obra de Georgina.  

Georgina Mongruel. Foto extraída do site do Patrimônio belga no Brasil. Sem data e fonte. 

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