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Uma breve (re)visão sobre o estudo da música e a criatividade (Parte 2)

Dando continuidade ao assunto da semana passada, hoje falarei um pouco sobre a autonomia. 

Segundo os dicionários, a autonomia é a capacidade de autogovernar-se, de dirigir-se por suas próprias leis ou vontade própria; soberania. Bom, isso não quer dizer que você deve sair como um cowboy fora da lei. Vamos por partes. 

A capacidade de autogovernar-se

O autoconhecimento é fundamental, e como estamos falando sobre música, uma maneira de colocar em prática a sua criatividade nesta área pode ser encontrada no antigo aforismo grego “conhece a ti mesmo”. 

O que estou querendo dizer é o seguinte: pergunte para você mesmo como eu aprendo? Depois de refletir alguns minutos, você pode responder: lendo, vendo vídeos, fazendo as duas coisas anteriores e escrevendo, criando gráficos, fazendo exercícios de conteúdo específico, etc., por exemplo. 

Com isso em mente, você terá uma visão clara do processo de elaboração do seu aprendizado. É aí que entra a autonomia, ou seja, é onde você vai criar as suas regras, formas, modelos e estratégias de como se desenvolver na sua área. Caso você tenha interesse, leia este livro. Nele você vai encontrar um conteúdo muito rico, e que vai te ajudar na formação da sua autonomia. 

Desenvolver a autonomia, e por conseguinte, a criatividade, requer a busca contínua por ideias em outros lugares ou áreas do conhecimento. Lembre-se que fazer o mesmo caminho leva aos mesmos resultados. 

Um dos autores mais conhecidos na atualidade quando o assunto é a articulação entre diferentes áreas do conhecimento é o psicólogo cognitivo e educacional

Howard Gardner. Segundo a teoria de Gardner, a inteligência consiste na habilidade de resolver problemas ou criar produtos que sejam significativos em um ou mais ambientes culturais. 

Em seu livro Inteligências Múltiplas: A Teoria na Prática, Gardner elenca 7 tipos de inteligência. Você pode conferir neste vídeo, um exemplo da aplicação da teoria de Howard Gardner no processo de ensino e aprendizagem da música. 

E, para finalizar, quando o assunto é autonomia, não podemos deixar de falar de Paulo Freire. A pedagogia desenvolvida por Freire é inovadora, entretanto, embora seja reconhecida mundialmente, ela não é aplicada nas escolas brasileiras — muito pelo contrário. 

Acreditando que a educação é uma ferramenta essencial para a transformação da sociedade, Freire fundamenta sua teoria na crença de que o educando (você) assimila o objeto de estudo (aquilo que você quer estudar) fazendo uso de uma prática dialética (uma conversa em forma de debate de ideias) com a realidade (o mundo a sua volta) em contraposição ao ensino tradicional, chamada por ele de educação bancária, tecnicista e alienante.  

Desta forma, a teoria de Freire destaca a necessidade do educando ter papel protagonista em seu aprendizado. Uma frase essencial e que ilustra bem a visão de Freire é a seguinte: “Ensinar exige curiosidade”. Agora substitua a palavra ensinar por aprender — não é que faz todo sentido mesmo?

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