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Uma breve (re)visão sobre o estudo da música e a criatividade

A criatividade é parte fundamental em todo e qualquer processo de ensino e aprendizagem em todas as áreas do conhecimento. Desta forma selecionei 4 frases super conhecidas quando assunto é criatividade. Entrelaçando com a música, teço comentários sobre os exemplos. 

O que torna o estudo enfadonho são as perguntas para as quais já se tem uma resposta. De modo geral, é a curiosidade que nos move em busca de respostas. Sabendo uma resposta, estagnamos. Por isso, é preciso buscar novas fontes que despertem a nossa curiosidade. 

Essa busca pelo novo, muitas vezes é atrelada a conhecimento prévio sobre um determinado assunto. Por isso, não devemos buscar uma lógica ao criar modelos criativos e sim usar metáforas para explicar o objetivo do modelo. 

“O computador está com vírus” é um dos exemplos mais clássicos quando esse assunto vem à tona, mas você pode (deve) criar a sua própria metáfora. Sempre que preciso explicar para meus alunos de música que para classificar um intervalo musical é necessário saber (contar) a nota de saída e a nota de chegada, eu uso o exemplo do biarticulado Santa Cândida/Capão Raso (o famoso vermelhão). 

Procuro deixar claro que o que importa na hora de analisar é justamente os “pontos finais” e não as estações que fazem parte do percurso. E sim, claro que isso funciona. 

Ainda pensando sobre intervalos, tomemos como exemplo a Teoria Pós-Tonal. Nela a classificação dos intervalos é feita através do menor intervalo (dentro do sistema temperado), a saber, o semitom. A analogia utilizada por um dos maiores teóricos desta teoria utiliza um relógio para designar cada um dos 12 semitons da escala cromática.   

Ideias novas normalmente não são bem-vindas pelas sociedades, por isso é preciso se revestir das possibilidades. A ciência é diferente do senso comum. Na música não é diferente. 

Eu costumo dizer para meus alunos que eles não precisam gostar de tudo, mas que eles devem conhecer de tudo. Lembre-se que o que hoje soa estranho, possivelmente no futuro será algo completamente normal. 

Isso aconteceu no passado com Beethoven, Mahler ou Stravinsky e ainda hoje ocorre com Webern, Stockhausen, Xenakis, por exemplo. Isso falando de música de concerto é claro, só que também vale para a música popular. O Maxixe, uma das danças mais populares do início do século XX, era mal vista; seus principais compositores, Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazareth, disfarçaram suas composições chamando-as de Tango Brasileiro. 

Exemplos assim são inúmeros na história da Arte. Obviamente não é exclusivo desta. 

O estudo da música também está relacionado à percepção das estruturas das coisas. Aqui você pode pensar sobre Arquitetura e Astronomia, por exemplo, ou quem sabe você pode se dedicar a compreender a estrutura utilizada na criação de uma história, a conhecida jornada do herói. 

Vale tudo. Muitos compositores utilizam ideias advindas de outras áreas na elaboração de suas obras. Harry Crowl, compositor mineiro, residente em Curitiba desde 1994, usou como inspiração uma planta chamada Calathea Mediopicta para compor uma de suas peças. 

Perceber a estrutura das coisas nada mais é que perceber o mundo à nossa volta — e, por que não, criar.

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