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Linguagem-tetris & citações-blocos-de-montar

A montagem é o procedimento de ajustar e ordenar as partes selecionadas a fim de alcançar, num todo, o fim desejado. (…) A citação não vem para ilustrar uma ideia. Ela é o texto, ela é a ideia. (Villa-Forte)

Escrevemos para expor o que está escondido. Se existe no castelo uma porta que disseram para você não abrir, você deve abri-la. (Lamott) Se partimos da hipótese de que os atos que fazem parte do processo literário — escrever, publicar, ler, interpretar, e até mesmo comprar e vender textos — são modos de estar na sociedade, é possível também indagar qual é o sentido social que têm as aparições do que é negativo nesse processo: não escrever, escrever e não publicar, não querer reeditar, não ler.  (Canclini) Todas as artes, grandes ou pequenas, resultam da eliminação do desperdício de movimento em favor da declaração concisa. (Bradbury)

Grande parte da arte de escrever é se sentar e praticar todos os dias. Mas, em igual medida, também é absorver tudo o que aparece, vendo tudo como matéria-prima. (Lamott) Chega-se a ser artista e escritor aprendendo a tratar com o que é, como se pudesse não ser, e como que não é, como se pudesse vir a ser. Como ator social, o escritor é aquele que não pertence inteiramente a sua etnia, nação ou língua, transita entre pertencimentos frágeis, vive em seu entorno como estrangeiro, fala, mas duvida do que diz. (Canclini) Por que essa história deve ser escrita por você e não por outro? (Brasil)

A tarefa do escritor é pegar uma coisa e fazer com que represente vinte. (Woolf) A gente fica voraz. Fica febril. É impossível dormir à noite, porque as ideias de criaturas ferozes querem sair e fazem a gente revirar na cama. É um jeito maravilhoso de viver. Havia outro motivo para escrever tanto: (Bradbury) A escrita, a rigor, só consegue imitar com perfeição a própria escrita. (Lodge) Quanto mais você se determinar a fazer literatura, mais longe estará dela. (Brasil) A propensão humana natural a encontrar em nosso ambiente físico um sentido, uma coerência, uma narrativa, seja por meio de um sistema de leis naturais ou por meio de histórias imaginadas, ajudou a traduzir o vocabulário do livro no vocabulário material. (Manguel)

Podemos ressaltar o valor da simpatia; podemos tentar submergir nossa identidade durante a leitura. Mas sabemos que não podemos nos identificar totalmente, nem nos absorver por completo; há sempre um demônio dentro de nós sussurrando “odeio, amo” e não há como silenciá-lo. (Woolf) Quanto tempo faz desde que você escreveu uma história na qual seu verdadeiro amor ou seu verdadeiro ódio foi para o papel? (Bradbury) Até sobre o tédio é preciso escrever com paixão. Essa é a lei de ferro da literatura, que nenhum “ismo” consegue abolir. (Szymborska)

Talvez não tenhamos como imaginar hoje qual terá sido a sensação, para a gente habituada a demandar a presença física do orador, de receber de repente, numa placa de barro, a voz de um amigo distante ou de um rei morto havia tempo. (Manguel) O homem é um animal político porque é um animal literário, que se deixa desviar de sua destinação “natural” pelo poder das palavras. (Rancière)

Em geral chegamos aos livros com a mente vaga e dividida, pedindo à literatura que seja verídica, à poesia que seja falsa, à biografia que seja lisonjeira, à história que reforce nossos preconceitos. (Woolf) A mentira da literatura é a verdade profunda das relações humanas. (Hatoum) A separação da ideia de ficção da ideia de mentira define a especificidade do regime representativo das artes. (Rancière) Para Nicolás Bourriaud, “a utilidade da arte” reside em assumir relações sociais existentes a fim de modificá-las. Segundo seu livro Estética Relacional, os artistas que importam são os que abrem “interstícios” na ordem imperante, os que criam outras possibilidades de encontro cotidiano, comunidades instantâneas geradoras de inovação. Em sua contestação a essa enquete, a arte busca “não reduzir o que é útil a esfera do proveito”. (Canclini)

A leitura é a arte de construir uma memória pessoal a partir de experiências e lembranças alheias. (Piglia) Na verdade, único conselho sobre leitura que alguém pode dar a outra pessoa é não aceitar conselhos, seguir seus instintos, usar sua razão, chegar a suas próprias conclusões. (Woolf) Então, embora nossa arte, ainda que assim desejemos, não possa nos salvar de guerras, privação, inveja, cobiça, velhice ou morte, ela pode nos revitalizar no meio de tudo isso. (Bradbury)

Quem garante que não saber o sentido da vida não é parte do sentido da vida, um pouco como, para falar uma frase, eu tenha de ignorar quantas sílabas a compõem? (Eagleton) Fingir não é propor engodos, porém elaborar estruturas inteligíveis. (Rancière) A arte de narrar se baseia na leitura equivocada dos sinais. (Piglia)

Na época atual não existe um estilo predominante. (Brasil) Estamos tão acostumados com a dicotomia de escrita “literária” em oposição à “comercial” que não rotulamos ou consideramos o caminho do meio, o caminho do processo criativo, que é melhor para todo mundo e mais propício para produzir histórias. (Bradbury) Palavras não são carcaças mortas que esperam pelo sopro de um falante que venha lhes dar vida. (Eagleton) O estado estético é pura suspensão, momento em que a forma é experimentada por si mesma. (Rancière)

O autor deve ser um espião de suas personagens fictícias, deve ficar ouvindo por baixo das portas, espiar quando elas estão sozinhas, abrir suas cartas e tentar adivinhar sobre o que se calam. (Szymborska) A linguagem permite nos vermos a nós mesmos e concebermos nossa situação como um todo. Nossa vida se dá nos signos, que trazem consigo a capacidade de abstração, a qual permite que nos afastemos de nós mesmos, em determinados contextos, que nos libertemos do jugo dos sentidos corpóreos e especulemos acerca da condição humana em geral. (Eagleton) O escritor é uma pessoa que fica afastada, fazendo suas anotações. (Lamott)


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